sexta-feira, outubro 14, 2005

O prazer de não ter


Com a chegada das chuvas e dos dias cinzentos chegam também os fins-de-semana passados em casa, mais recolhidos, contemplativos e muuuuuito mais preguiçosos!
Há uns anos atrás passava muitos fins-de-semana desta época em Torres Novas, na quinta de uns amigos que enquanto esperavam a resolução de um caso complicado de partilhas, nos cediam a casa, que íamos mantendo viva, evitando assim a sua degração. Eu tinha a sorte de fazer parte do núcleo central de amigos que todos os fins de semana convidava outros amigos para partilharem o fim de semana, em grupos que chegaram a ser de dez adultos e não sei quantas crianças. Fosse com quem fosse, o ambiente vivido nessa casa era sempre mágico e dei por mim a tentar descobrir onde estava a diferença, porque é que ali nunca ninguém se irritava ou amuava, qual seria a receita para aquela harmonia absoluta que tínhamos o privilégio de viver naquele espaço, e que raramente se repetia noutros fins-de-semana, noutros sítios...
E acho que descobri! É que aquela casa enorme e um bocadinho decrépita recebia-nos como uma verdadeira casa de família mas não era de nenhum de nós, directa ou indirectamente. A ausência do sentimento de posse, em que oscilamos entre o desejo de bem receber os convidados e a necessidade de preservar algo da nossa intimidade, a ausência do sentimento 'de visita', em que achamos que nos temos de portar de determinada maneira e esperamos indicações do proprietário quanto ao que podemos fazer, o território sobre o qual nenhum de nós tinha mais direito do que o outro e o sentimento de protecção daquele espaço que a todos nós tocava da mesma forma, criavam um espírito de comunhão e bem estar que nunca mais conseguimos repetir noutros lugares.
Infelizmente esses fins-de-semana acabaram porque a casa foi posta à venda. Depois de grandes discussões sobre quem ficava ou não com a casa, e sobre o que fazer com ela, os herdeiros decidiram prescindir da sua posse .... a troco de uns milhares largos de euros!!!!
Se pudéssemos, não hesitaríamos em comprar a casa. Mas uma vez tornados proprietários, as responsabilidades desse novo estatuto seguramente iriam transformar a nossa forma de a sentir e logo na decisão das primeiras obras começariam as divergências e os amuos que nunca tinham surgido...

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1 comentário:

Anónimo disse...

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